Casos de sucesso de preservação ambiental necessitam, além de investimento e planejamento, levar em conta os ecossistemas e o desenvolvimento de parcerias locais, nacionais e até mesmo globais. É o que revelam os exemplos mostrados na sessão “Revitalização de bacias hidrográficas para subsidiar a quantidade e qualidade da água e o bem-estar humano”, ocorrida na manhã desta terça, 20 de março. O evento integrou a programação do Processo Temático do 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília.

Vindo dos Estados Unidos, o exemplo do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA (USACE, na sigla em inglês) mostra como alinhar trabalho de engenharia ao conhecimento da natureza para reduzir o impacto dos desastres naturais. O trabalho do USACE na recuperação de áreas afetadas por furacões, enchentes e outras catástrofes nos Estado Unidos iniciou há oito anos e inclui manutenção de áreas navegáveis, gerenciamento de riscos de inundação, restauração de ecossistemas e gestão da água.

“Para isso tivemos de fazer parcerias locais, pois tínhamos o conhecimento técnico, mas não sabíamos como funcionava a natureza dos lugares”, explicou o Dr. Hal Cardwell, diretor da organização. Ele conta como foi importante a participação de universidades, ONGs, do setor privado e até de organismos internacionais para a realização do projeto.

Manguezais e florestas

Em 2012, o furacão Sandy causou forte impacto no norte dos EUA. Cardwell estima que as ações de preservação dos manguezais, realizadas pela USACE naquele local, evitaram danos na ordem de U$ 625 milhões. O próximo passo será desenvolver um guia internacional de aplicações técnicas para áreas litorâneas e fluviais.

No Japão, a destruição de florestas de alta e baixa altitude causou um problema para o governo. “Sem florestas, não há infiltração de água no solo e isso afeta todo o ecossistema” resumiu o Dr. Takashi Gomi, da Agência Florestal do Japão. Uma campanha de reflorestamento iniciada há 60 anos reduziu a extração de madeira o que fez os preços aumentarem no mercado interno, em compensação atualmente o Japão possui 70% de sua área coberta por florestas.

Pierre Roussel, presidente da IOWater International, apresentou breves casos de sucesso de restauração de manguezais na Indonésia, de reflorestamento no Congo e de controle de erosões em Burkina Faso. Sobre o investimento em pessoal para a preservação Roussel resume: “Capacitar as pessoas tem um custo, mas não capacitar tem um custo maior ainda”.

Vanessa Legaigneur, da SIAAP, empresa de serviço público de saneamento da região de Paris, falou sobre a manutenção da bacia da Normandia. Também apresentaram suas experiências os brasileiros Fernanda Gomes Corrêa da Arcadis, com o projeto de revitalização do Rio São Francisco e Thiago Piazzetta, do grupo Boticário - maior grupo de fabricação de cosméticos do Brasil - com o projeto Oásis.